04/07/08
Fonte: G1 - Globo.com

Menopausa sem crise

O climatério, que a maioria das mulheres identifica como menopausa, marca o início de uma fase que corresponde a um terço da vida da população feminina. As Mudanças mexem com o corpo e as emoções.

Guacira Merlin

Essa fase provoca muitas dúvidas, como disseram as telespectadoras que pediram essa reportagem ao Jornal Hoje.

Para a professora Regina Maria de Souza, a sensação vinha sem aviso. No meio da aula, ela sentia calor intenso, suor e o rosto vermelho. O mal-estar atrapalhava sua rotina. “Se eu continuasse com aqueles calorões, acho que nem marido eu tinha mais. A coisa estava complicada", lembra.

Era a menopausa, nome que significa a última menstruação e que, popularmente, é usado como sinônimo de climatério. "O climatério nada mais é do que a transição entre o período reprodutivo e não reprodutivo da mulher. A menopausa é o marco onde termina a vida reprodutiva feminina”, explica a médica ginecologista Carla Vanin.

Regina buscou alívio dos sintomas através da terapia de reposição hormonal. Para isso, a paciente não pode ter histórico de câncer de mama na família ou outros fatores de risco para a doença. "A tendência atualmente é de que a dose seja a mínima possível e pelo menor tempo possível”, explica Vanin.

Oitenta por cento das mulheres na menopausa sentem irritabilidade, insônia, falta de memória, dor na relação e redução do desejo sexual. Para as brasileiras, os sintomas aparecem por volta dos 47 anos, mas fumantes podem entrar nesse período dois anos antes, porque o cigarro prejudica o funcionamento dos ovários.

Os sintomas da menopausa chamam a atenção para uma nova realidade, uma nova etapa da vida. Para 25% das mulheres, mesmo com todos os tratamentos disponíveis, eles vão ser uma companhia diária.

A tradutora Corina Breton usou a reposição hormonal até os 60 anos e teve que parar; acima dessa idade, aumentam os riscos de câncer. Os sintomas voltaram, e a busca pelo bem-estar seguiu um caminho alternativo. “Trato com muita leitura, muita reflexão e muita alegria e paixão pela vida, porque isso ajuda até nos fogachos”, brinca.

A ginecologista Carla Vanin dá dicas para amenizar o problema:

- fuja da comida apimentada

- evite o consumo de álcool, que também é fator de risco para o câncer de mama

- corte o café, que é outro inimigo do sono tranqüilo e aumenta o risco de osteoporose

- faça exercícios físicos

Para quem sofre muito com os sintomas, Carla Vanin ainda sugere acupuntura, massoterapia e yoga. “Traz bem estar físico e emocional, e a paciente se sente bem como um todo. Isso é muito importante", explica a médica.