
Variação genética diminui tolerância a estímulos dolorosos e predispõe à fibromialgia.
Dirceu de Lavor Sales
Dores difusas, crônicas e muitas vezes incapacitantes, são os principais sintomas da fibromialgia, uma síndrome freqüentemente confundida com artrite e sobre a qual há muita controvérsia. Pesquisadores da Universidade de Michigan parecem ter colocado um ponto final num antigo debate, em que um dos lados argumentava que os sintomas dolorosos seriam manifestações de caráter puramente emocional, sem alterações orgânicas subjacentes. “A dor da fibromialgia é real”, afirma Richard Harris, autor de uma revisão, publicada na Current Pain and Headache Reports, que compila os estudos recentes sobre a fisiopatologia, a neurobiologia e a genética dessa condição. Segundo ele, há quantidade suficiente de evidencias que mostram que a fibromialgia é caracterizada por um limiar mais baixo da dor, associado a fatores genéticos que tornam algumas pessoas mais suscetíveis ao problema. A fibromialgia afeta cerca de 4% da população, a maioria mulheres. Corresponde a até 20% dos pacientes na clinica reumatológica e é mais comum entre pessoas com nível social mais alto.
Um dos estudos citados na revisão foi feito pelo próprio Harris e revelou diferenças entre o cérebro de pacientes com fibromialgia e o de pessoas saudáveis, por meio de ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrons. “Nos pacientes, as estruturas que codificam e transmitem os sinais de dor estavam hiperativas”, diz o pesquisador. Outro estudo, publicado na Science em 2003, mostrou pequenas variações no gene que codifica uma enzima chamada de Comt, cuja atividade está ligada ‘as emoções relacionadas à dor e à tolerância aos estímulos dolorosos. Outro estudo demonstrou que mutações nesse gene favorecem o desenvolvimento de um distúrbio na articulação da mandíbula, condição comum em que tem fibromialgia.
Se a revisão dos pesquisadores salienta detalhes neurobiológicos, eles não negam, porém, que aspectos emocionas desempenhem algum papel. Os rematologistas estão habituados a casos em que o problema é deflagrado por traumas físicos ou psíquicos. Por outro lado, é comum a fibromialgia vir acompanhada de alterações de humor, o que agrava ainda mais o quadro de dor.
IMAGEAMENTO CEREBRAL revela detalhes neurobiológicos da fibromialgia; aspectos emocionais também contam.
Prato mais verde
Verduras e legumes ajudam a prevenir a perda cognitiva associada ao envelhecimento, segundo estudos publicado na Neurology. Já as frutas não garantem o mesmo efeito. Foi o que mostrou estudo realizado por pesquisadores da Universidade Rush, em Chicago. Eles investigaram durante seis anos os hábitos alimentares de quase 4 mil pessoas acima dos 65 anos. “ Comparados com quem comeu menos de uma porção diária de vegetais, os idosos que ingeriram em média 2,8 porções por dia tiveram um declínio cognitivo até 40% mais lento “, afirma a neurologista Martha Clare Morris. Entre os diferentes tipos de vegetais consumidos pelo participantes, as folhas verdes parecem ser as principais responsáveis pela manutenção das funções cognitivas. Surpreendentemente, o consumo de frutas não exerceu nenhum efeito. “Sabemos que a vitamina E, encontrada em maior quantidade nas folhas, retarda o declínio mental e o fato de serem geralmente consumidos com óleo ou azeite facilita a absorção dos nutrientes pelo organismo. Ainda assim, não entendemos por que as frutas não se associaram aos resultados positivos”, afirma a autora.
CONSUMO DE FOLHAS parece retardar declínio cognitivo típico da terceira idade.
Agulhas que curam
A acupuntura já vem sendo usada com sucesso no tratamento da síndrome de ardência bucal e na paralisia facial. Agora é a vez da xerostomia, mais conhecida como secura da boca, um efeito adverso comum e irreversível decorrente da radioterapia usada nos tumores de cabeça e de pescoço. Estudo da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) mostra que a técnica de origem oriental é eficaz, tanto para amenizar o problema, quanto para preveni-lo. Sintomas de depressão e ansiedade dos pacientes também diminuíram. “Apesar de trazerem resultados positivos, os tratamentos disponíveis são apenas paliativos e apresentam desvantagens, como o curto período de eficácia, efeitos colaterais e alto custo, especialmente no caso dos medicamentos”, diz o cirurgião-dentista Fabio do Prado Florence Braga, autor do estudo que deu origem a um protocolo inédito para o uso da acupuntura como método preventivo a ser usado na clinica oncológica.
ACUPUNTURA pode prevenir ou amenizar a xerostomia, mais conhecida como boca seca – efeito adverso comum em quem passa por quimioterapia.
Enxaqueca e aura
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard descobriram alterações morfológicas no cérebro de pessoas que sofrem de enxaqueca. Usando ressonância magnética funcional eles observaram aumento de espessura de duas áreas motoras do córtex. Segundo o estudo, publicado pelo PLoS Medicine, não houve diferenças, entretanto, nos casos de enxaqueca acompanhados ou não de aura, isto é, distúrbios visuais caracterizados por pontos piscantes, linhas em ziguezague etc. Chamou a atenção dos cientistas, porém, o fato de uma área cortical relacionada à depressão estar mais espessa naqueles que manifestavam aura. Espera-se que os resultados ajudem a explicar por que a enxaqueca se manifesta de formas diferentes e apontem para tratamentos diferenciados e mais eficazes que os disponíveis atualmente.
CERTAS ÁREAS do córtex motor são mais espessas nos pacientes que sofrem de enxaqueca com ou sem aura.
TAICHI- EFEITOS TERAPÊUTICOS TESTADOS
- Músculos
Estudo de 2005 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em Atlanta, mostrou que o taichi fortalece a musculatura postural e previne quedas em idosos. Outros estudos observaram redução na perda de tecido ósseo em mulheres na pós-menopausa. Quem sofre de artrite reumatóide parece também se beneficiar dos exercícios chineses, que melhoram a mobilidade das articulações, especialmente das pernas e dos quadris.
- Coração
O tai chi favorece a qualidade de vida e diminui a intensidade dos sintoma de portadores de insuficiência cardíaca crônica, segundo pesquisa realizada na Faculdade de Medicina da Universidade Harvard. No ano seguinte, estudo da Univesidade de Liverpool mostrou que essa pratica é capaz de diminuir a pressão arterial em mulheres de meia-idade.
- Imunidade
Portadores de Herpes Zoster apresentaram melhora na resposta imunológica, especialmente indivíduos com saúde mais debilitada, segundo estudo do Centro Cousins de Psiconeuromunologia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
- Sono
Praticando três vezes por semana durante seis meses, o taichi aumenta a qualidade e a duração média do sono e é mais eficaz que programas equivalentes de ginástica de baixo impacto, de acordo com trabalho realizado no Instituto de Pesquisa de Oregon.
- Auto-estima
A técnica foi considerada eficaz e contribui para a auto-estima e para a qualidade de vida de mulheres com câncer de mama, segundo pesquisa da Universidade de Rochester.
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