Síndrome do Túnel do Carpo (STC)
Dr. João Arthur Ferreira
Fisiatra e Acupunturista
Professor do CEIMEC

A Síndrome do Túnel do Carpo caracteriza-se pela compressão do Nervo Mediano na área em que ele atravessa a região do carpo, produzindo dor e parestesias, podendo evoluir para a perda variável da sensibilidade e força muscular da mão afetada.

Fig.1- Corte transversal do punho, ao
centro,o Túnel do Carpo.
Fig. 2- À esquerda, o Nervo Mediano sob o Ligamento Transverso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fig.3
Nervo Mediano sendo comprimido pelo Ligamento Transverso.

 

 

 

 

 

 

 


Fig.3- Teste de Phalen.


Fig.4- Teste de tinel.

 

 

 






Fig.5- HP1

Fig.6- HP2

Fig.7- HP3

 

O Túnel do Carpo possui aproximadamente 3 cm de largura, é delimitado na face dorsal pelos ossos Pisiforme, Escafóide, Hamato e Trapézio, e na face ventral, pelo Ligamento Transverso. Por ele passam o Nervo Mediano e nove tendões responsáveis pela flexão dos quirodáctilos. Por ser rígido, qualquer aumento de pressão no seu interior, comprime o Nervo Mediano contra o Ligamento Transverso, gerando assim a STC. (Fig.1,2 e 3)
Este aumento de pressão se dá em qualquer situação que provoque aumento do tecido sinovial que reveste os tendões, com função de nutri-los, comprimindo o nervo. Exemplo disso são os traumas, inflamações e tumores.

A prevalência da STC ocorre no sexo feminino, entre a 3ª e 6ª década, manifesta-se com parestesias na mão, sentidas principalmente no polegar, indicador, médio e anular. É bilateral em 2/3 dos casos, e pode haver irradiação do quadro álgico para o antebraço e até o ombro.
A sintomatologia noturna se dá provavelmente pela retenção de líquidos. O doente sente a necessidade de levantar-se, sacudir as mãos e imergi-las em água quente.

Ao segurar objetos pesados, o volante ao dirigir, descascar frutas e legumes, refere sensação de choque. São freqüentes as quedas de objetos da mão ou dificuldade de manipular objetos de pequenas dimensões, devido à diminuição da sensibilidade.


Os sintomas se exacerbam às atividades realizadas com o punho em flexão ou extensão extremas, provocando atrito entre os tendões, comuns nos músicos, bancários, ordenhadores.

Geralmente está associada a algumas doenças, como Fibromialgia, Hipotiroidismo, Artrite Reumatóide (proliferação do tecido sinovial), Obesidade, Diabetes (neuropatia e proliferação da sinóvia) ou na presença de variações anatômicas do Túnel do Carpo e traumas agudos (luxação do Semilunar, fratura de Colles).É muito freqüente durante a gestação devido à retenção hídrica, regredindo após o parto, tendendo à recorrência após alguns anos.

Existe uma teoria que na sinóvia existiriam receptores para estrogênios. Quando o nível desse hormônio estivesse normal, o tecido sinovial não proliferaria. Com a redução do nível do estrógeno, os receptores ficariam livres, havendo pois, a proliferação do tecido sinovial.

No exame físico, à inspeção, verificamos hipotrofia ou atrofia da região tênar, lesões tróficas nas pontas dos quirodáctilos, queda dos pelos dorsais destes e fragilidade ungueal.

Os testes provocativos de Phalen e tinel são positivos. No de Phalen, solicita-se ao doente fazer a flexão máxima do punho e manter nesta posição por 1 minuto (Fig.3). A pressão intracarpal aumenta de 4 a 5 vezes, e se houver compressão, os sintomas pioram.

No tinel, percute-se com a ponta do indicador o sulco de flexão do punho. Se houver compressão do nervo, sente-se choque e/ou formigamento (Fig.4).

Nos casos leves de STC, pode-se fazer imobilização do punho com um splint por até 30 dias; nos moderados, injeção de cortcosteróides intracarpal; e nos graves, indicação cirúrgica.

A Eletroneuromiografia pode servir de parâmetro para a indicação de cirurgia, apesar de que é possível encontrar-se doentes com quadro de lesão grave ao exame, sem que refira quase nenhuma sintomatologia.

Não custa lembrar, que a doença de base deve ser tratada convenientemente.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com Artrite Reumatóide, Osteoartrite, Rizartrose, Síndrome Complexa de Dor Regional, Tenossinovites e Cervicobraquialgias.

A acupuntura é de grande valia no tratamento da sintomatologia da STC, e no Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa – CEIMEC, usamos os pontos HP como primeira escolha.

HP1
Sentado ou em decúbito dorsal, localizar o ponto na linha horizontal que passa no meio do músculo Esternocleidomastóideo, no meio do 1/3 posterior. Inserir a agulha perpendicularmente por 1.0 cun, até obter a sensação de De Qi (Fig.5).

HP2
Sentado ou em decúbito dorsal, localizar o ponto 3.0 cun abaixo do ponto médio entre Shao Hai (C3) e Qu Ze (PC3). Inserir a agulha perpendicularmente por 1.0 cun (Fig.6).HP3- Sentado ou em decúbito dorsal, localizar os 2 pontos no nível de Nei Guan (PC6), um entre o tendão do músculo Flexor Radial do Carpo e o Rádio, e o outro entre o tendão do músculo Flexor Ulnar do Carpo e a Ulna. Introduzir as agulhas subcutânea e horizontalmente por 2.0 cm em direção da prega do punho (Fig.7).

HP3
Sentado ou em decúbito dorsal, localizar os 2 pontos no nível de Nei Guan (PC6), um entre o tendão do músculo Flexor Radial do Carpo e o Rádio, e o outro entre o tendão do músculo Flexor Ulnar do Carpo e a Ulna. Introduzir as agulhas subcutânea e horizontalmente por 2.0 cm em direção da prega do punho (Fig.7).