Dor como subespecialidade da Acupuntura

Os médicos que participaram desta grande vitória, integrando a comissão de dor da amb:

Nadia Duarte; Waltrick; Saleme; Roberto Heymann; Patrick Stump; Osvaldo Nascimento; Newton Barros; Marta Imamura; Márcio Rondinelli; Lin Yeng; Jurandir Turazzi; Onofre Alves Neto; Wu Tu Hsing; Levi Jales; Dan Viola; Reynaldo Garcia; Manoel Jacobsen; Ademir Batista

Esta resolução foi publicada ontem, no diario oficial da união pag 149:

A dor é o principal motivo de procura por serviços médicos. Fonte de sofrimento desde sempre, a humanidade continua lutando para dominá-la. O alívio da dor é com certeza o principal objetivo do médico. Entretanto, a dor segue sendo um desafio para a medicina.

Foi conceituada  , em 1986, pela Associação Internacional para o Estudo da Dor  (IASP ) como “ uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais ou descrita em termos de tais lesões .

Apesar do conceito levar em consideração aspectos subjetivos, tanto cognitivos quanto relacionados a emoção, em nosso imaginário a dor sempre está ligada a uma lesão tecidual. Após um traumatismo alterações metabólicas locais estimulam a produção de substâncias algogênicas: prostaglandinas, interleucinas, bradicininas, substância P e outras. Estas substâncias acionam receptores periféricos relacionados a  fibras C e A delta, que se projetam ao  corno posterior da medula. Desta região o estímulo doloroso segue pela  via espino-talâmica até os centros nervosos superiores, imbricando-se na formação reticular, nas regiões talâmica, límbica , frontal, e cortex cerebral. Estas conexões ocorrem através de reações químicas inter sinápticas desencadeadas por neurotransmissores e neuromoduladores. Como a todo estímulo corresponde um contra-estimulo, desde sua origem passando pelo corno posterior da medula, vias ascendentes e disseminação cerebral, a química algogênica sofre a constante ação de processos supressores, chamados  mecanismos inibidores álgicos endógenos.

Na dor aguda , todo este fenômeno ocorre em um tempo onde os  mecanismos analgésicos endógenos estão em atividade máxima e que ao serem associadas procedimentos médicos como acupuntura, medicações analgésicas e meios físicos complementares, logo reequilibramos  o processo trazendo analgesia satisfatória.        

Já na dor crônica, a fisiologia é mais complexa. A manutenção do estímulo doloroso e a constante liberação das substâncias algogênicas, determinam o aumento do número de receptores álgicos na membrana sináptica, acentuando a excitabilidade à dor, alem de esgotar os mecanismos endógenos de analgesia. Diferente da dor aguda, que apresenta etiologia definida, onde são acionados reações de fuga, ansiedade e fenômenos neurovegetativos, neuroendócrinas e neuroimunológicas, a dor crônica não tem função determinada. Pouco a pouco levam à depressão e ao isolamento. Mais que uma sensação, passa a ser uma doença. São instalados fenômenos secundários ósteo músculo ligamentares e alterações comportamentais. Na dor crônica a proposta terapêutica é longa e interdisciplinar.

Desta forma entendemos que o médico que se propõe a trabalhar com  clínica de dor, necessita conhecimento em neurofarmacologia, fundamental para uma escolha adequada dos vários fármacos disponíveis ao controle químico da dor, dentre eles antinflamatórios hormonais e não hormonais, antidepressivos , anti convulsivantes, neurolépticos, opióides fracos e fortes. Sempre fundamentado nos novos conceitos de neuromodulação, consideramos que o médico algologista esteja atualizado em técnicas anestésicas, neurocirúrgicas, neurológicas, ortopédicas , fisiátricas e em acupuntura. Devemos também destacar a importância de uma atualização nos novos fundamentos da saúde mental e sua importância no diagnostico e prognostico de todo paciente com dor

Os estudos dos mecanismos de ação da acupuntura no ocidente, desde seu início, nas décadas de 70 e 80, sempre se interligaram com os primeiros estudos dos mecanismos de ação da nocicepção. As teorias da comporta ( Melzack e Wall / 1965 ) e as descobertas dos opióides endógenos ( encefalina e endorfina ), comprovadamente aumentadas após a estimulação com a acupuntura comprovam o constante paralelismo das pesquisas entre este procedimento médico e a dor. Estes fatos sustentam o  interesse que a acupuntura despertou nos médicos pioneiros do estudo da dor em todo o mundo incluindo o Brasil e da constante presença dos médicos acupunturistas nos principais centros universitários de estudo da dor  em todo  o pais.

O médico acupunturista esta consciente do grave problema social que representa o paciente com dor em nossa sociedade e esta tem sido a tônica do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura - CMBA que em seu currículo de ensino, contempla um módulo específico sobre a dor e suas varias opções terapêuticas, alem da constante presença do tema nos vários congressos, simpósios e jornadas realizadas pelos seus colégios regionais.

Do que foi exposto parabenizamos o Conselho Federal de Medicina ( CFM ) assim como a Associação Médica Brasileira ( AMB ) que em resolução puplicada no Diário Oficial da União do dia 01 de agosto de 2011 página 149, fundamentada em uma política interdisciplinar, estendeu a área de atuação em dor para as especialidade médicas de Anestesiologia, Acupunturologia, Clínica Médica, Fisiatria, Neurologia, Neurocirurgia, Reumatologia e Ortopedia . Temos a convicção de que esta resolução abrira erspaço para uma maior difusão do tratamento e controle do quadro doloroso em todo o pais, onde toda a população brasileira terá muito a ganhar no campo da saúde.

Dr. Márcio Rondinelli